Religião vs Religiosidade

          Durante a visita do Papa e após ler as manifestações nas redes sociais, voltei a pensar sobre o que significa para mim, ter uma  religião e o que significa ter religiosidade.

          Nasci em uma família católica tendo como mãe uma mulher que tinha uma fé inabalável, como ela própria dizia. Após iniciar meus estudos no Educandário Imaculada Conceição, fui “apresentada” à aquela que seria a minha companheira de todas as horas da minha vida, A Madre Paulina, hoje Santa Paulina. Foi ela quem fundou meu colégio e sua história e exemplos eram repassados para nós, no cotidiano de nossa vida escolar.

          Durante o segundo grau estudei no Colégio Catarinense,  fundado por jesuítas que durante muitas décadas foi  destinado somente ao ensino do genero masculino. A minha turma inaugurou as turmas mistas.

          Na universidade, durante a primeiras fases tínhamos aulas de Ética, ministrado por um padre, porém não havia mais  aulas de ensino religioso.

           Hoje, recordando toda esta minha convivência com a religião católica, reconheço a sua importância na minha vida , principalmente por desenvolver em mim, desde os primórdios, a capacidade de questionamento. Porém, o que eu nunca questionei foi a minha fé. Ela explica, me ampara, me acalma, me preenche, enfim ela é indissociável do meu viver. Ela não interfere no meu lado científico, não me separa de pessoas, não me marginaliza e não me faz tomar atitudes hipócritas.

           Faz muito tempo que não posso pertencer a Igreja Católica, pois sou divorciada, ensinei meus filhos a usarem camisinha , vivo a muitos anos com um homem sem ser casada, não consigo aceitar que a mãe de Jesus o concebeu de forma diferente daquela na qual eu concebi meus filhos, não aceito que sexo esteja relacionado com sujeira, não aceito “culpas e pecados” e a homossexualidade não me traria nenhum embaraço social ou de princípios,etc, etc.

          A minha compreenção sobre as várias religiões é muito clara…. uma não pode fazer transfusão de sangue, a outra não pode cortar o cabelo, a outra não pode usar camisinha e asssim por diante. Na minha fé tudo isto é irrelevante! 

          Mas eu penso que eu só posso pertencer a um grupo quando eu aceito as regras deste grupo…. ora, se eu não aceito ou não sigo parte ou o todo deste grupo…. eu não posso fazer parte dele.  Simples assim… mas é importante  ressaltar, que as vezes que vou a Igreja, quando comungo, quando converso com o Criador por meio da Madre Paulina, eles nunca perguntaram se eu era casada, separada, se usava camisinha, se era gay…. mas já vi e ouvi duas católicas discutindo se filhos de pais separados tinham o direito de fazer a primeira eucaristia… sendo que uma delas tinha um irmão que vivia há muitos anos com um companheiro.

          Não tenho religião, mas tenho religiosidade e muita fé!

          O meu oratório está se transformando num culto ecumênico, onde o respeito às diferenças é mantido, para que possamos cada vez mais nos assemelhar!

 

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